quinta-feira, 14 de junho de 2007

A Importância dos Anfíbios

Aspectos Ecológicos e Econômicos
Os anfíbios são elementos importantíssimos nas cadeias e teias ecológicas (Stebbins & Cohen, 1995), principalmente como controladores de insetos e outros invertebrados, sendo ora presas, ora predadores. No geral, são bons indicadores biológicos e ambientais, já que necessitam de um ecossistema equilibrado (associação entre meio biótico e abiótico) para manterem sua diversidade. No entanto, na atualidade, eles são alvo de biopirataria, uma vez que na sua pele encontram-se compostos químicos de interesse das grandes indústrias farmacêuticas, com poderes curativos, analgésicos ou até mesmo anti-cancerígenos.Em termos ecológicos, os anfíbios, como animais ectotérmicos (dependem de fontes externas de calor para manutenção da temperatura corpórea), são importantes no fluxo de energia (cadeias tróficas) de uma ambiente porque convertem cerca de 90% do que consomem em massa (tecidos corpóreos), diferentemente dos seres endotérmicos (possuem mecanismos internos para o controle da temperatura corpórea), que devem reservar parte da energia ingerida para manter a temperatura corpórea constante. Dessa forma, os anfíbios apresentam taxas de crescimento muito elevadas, e por isso tornam-se ótimas presas de seres ectotérmicos/endotérmicos maiores (Pough et al., 1996).Estudos com comunidades de anfíbios têm proporcionado um maior conhecimento da “ecologia de comunidades”. Por serem de fácil observação, estarem sempre associados a cursos d’água ou poças em pelo menos uma fase de suas vidas e se encontrarem em grande número na época reprodutiva, estudos de comunidades de anfíbios têm contribuído com importantes informações acerca da distribuição espacial e temporal, predação, comunicação e alimentação (Beebe, 19896; Duellman Trueb, 1986), para a elaboração de modelos acerca da estruturação de comunidades em geral.Como já referido, por serem de fácil observação, e também por suportarem a presença dos pesquisadores e permitirem manipulações os anfíbios têm chamado a atenção dos cientistas que trabalham com seleção sexual. Assim, é possível testar hipóteses, verificar como ocorrem os acasalamentos, como é a competição intra ou intersexual, se há estratégias alternativas reprodutivas ou se há influência nas características dos filhotes devido à escolha de parceiros (Bastos & Haddad, 1999; Wilczynski & Ryan, 1999), assim como a análise das vocalizações para diagnosticar a linguagem destes anfíbios.Em termos histórico-científicos, os anfíbios foram muito utilizados nas décadas de 1950 e 1960, para realizar teste de gravidez. O teste consistia na resposta da fêmea de Xenopus, em produzir óvulos em menos de 24 horas, a pequenas quantidades de hormônio gonadotrofina-coriônico (coletado na urina), se a mulher estivesse grávida (Beebee, 1996).Além disso, os anfíbios têm sido utilizados pela humanidade de diversas maneiras. Por exemplo, em varias partes do mundo (incluindo o Brasil), as rãs são iguarias bastante apreciadas. A rã-touro (Rana catesbeina; Família Ranidae) é criada especificamente para fins alimentares. O Brasil destaca-se, mundialmente, como um dos grandes produtores de carne e de pele dessa rã (Bezerra, 2001). Todavia, deve-se ressaltar a importância de haver um controle rígido sobre os criadouros, para evitar que a rã-touro possa vir a ocasionar problemas para a fauna nativa geral, caso indivíduos adultos escapem acidentalmente e venham a se reproduzir na natureza podendo causar grande impacto ambiental sendo uma espécie invasora que, geralmente, não apresenta um predador natural. Na Austrália, em 1935, o sapo sul-americano, Bufo marinus, foi introduzido para controlar duas espécies de besouros, que causavam sérios prejuízos às plantações de cana-de-açúcar. Posteriormente, no entanto esses sapos constituíram-se em um gravíssimo problema para a fauna nativa australiana (Azevedo-Ramos et al., 1994), uma vez que não possuíam predadores especializados em caçá-los, explodindo demograficamente sobre anfíbios nativos e os expulsando de seus habitas por competição espacial e alimentar.Como os anfíbios são abundantes e fáceis de serem capturados, são utilizados em muitas escolas e universidades como material biológico em estudos de citogenética, morfologia, fisiologia, tanto em nível de graduação como de pós-graduação. Todavia, devem-se respeitar os princípios éticos na manipulação desses animais em tais experimentos, nas aulas práticas ou nos estudos científicos (Animal Behaviour, 2002), assim como se deve ter licenças ambientais dos órgãos competentes que permitam a utilização dos animais. Caso contrário, é imoral e ilegal a coleta, o transporte e o manuseio de qualquer material biológico.Atualmente, os anfíbios têm atraído a atenção de grandes laboratórios farmacêuticos, devido à existência de diversos compostos químicos em suas peles, como é o caso de diversas espécies pertencentes aos gêneros Brachycephalus, Dendrobates, Epipedobates, Phyllomedusa e Rana (Batista et al.; Park et al, 2001; Sebben et al., 1993). As pesquisas têm possibilitado a descoberta de substâncias que poderão atuar, por exemplo, como substituto da morfina, no tratamento do mal de Alzheimer e doença de Chagas (Stebbins & Cohen, 1995). Além disso, as possibilidades de novas descobertas de princípios ativos são infinitas, podendo ser descobertas substâncias que atuariam combatendo o câncer, auxiliando no tratamento da AIDS ou sendo analgésicos e antidepressivos. Como os grandes laboratórios farmacêuticos estão localizados no hemisfério norte, o Brasil deve preservar a sua anfibiofauna e evitar o tráfico ilegal desses animais. Assim, evitar-se-á que, em um futuro não tão distante, tenha de se pagar bem caro por medicamentos que foram produzidos a partir de substâncias existentes na biodiversidade nacional, como já ocorre com alguns medicamentos em que o princípio ativo é derivado de espécies vegetais nativas do território nacional.As medidas para conservação da biodiversidade em geral compreendem: maior fiscalização nas áreas de fronteiras; acompanhamento específico e rigoroso em pesquisas de estrangeiros sobre a fauna e flora nacional; criação de novas unidades de conservação; consolidação das unidades de conservação existentes; desenvolvimento de programas de educação ambiental com as comunidades mais próximas das unidades de conservação; formação de recursos humanos; criação de novas coleções científicas; maior apoio financeiro para as coleções científicas existentes; criação de uma base de dados, interligando as coleções científicas e destinação de recursos para realização de pesquisas, como inventariamento de novas áreas, identificação de populações ameaçadas e de relevante interesse ecológico, estudos da biologia molecular, ecologia, distribuição espacial e temporal, genética, comportamento social, reprodução, seleção sexual e monitoramento das espécies (Azevedo-Ramos, 1998; Cavalcanti & Joly, 2002; Dias, 2001; van Schaik et al., 202; Young et al., 2002).Conservar a biodiversidade nacional e coibir a biopirataria é mais do que proteger nossos animais e plantas; é acreditar em uma dádiva que está presente em nosso território nacional e fazer valer essa condição única de poder desfrutar consciente e sustentavelmente de potenciais e reais recursos ambientais, geradores de renda, saúde, trabalho, desenvolvimento econômico-social e a possibilidade de poder contemplar uma exuberante e revigorante beleza cênica que a natureza nos provê a todo momento.
Texto retirado do site do Ibama (www.ibama.gov.br)

9 comentários:

Raquel disse...

Muito legal o texto.Me ajudou muito na conclusao de um trabalho de biologia. So faltou colocar o nome de anfibio, poderia ser a de um sapo que retiram seu veneno para tratamentos de saude tbm. oO nome dele é Kambo, tem origens indigenas!!

Josuela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kalebe disse...

Muito bom!!
Com isso terminarei o meu trabalho de biologia, vocês estão de parabéns!!!

Daiane disse...

muito legal...mais o texto é muito grande...e a maioria eu naum entendi...mais o autor está de parabéns...

Ilker Mauricio disse...

Formidável!O texto me ajudou a concluir o meu trabalho.

Ilker Mauricio disse...

Foi essencial, me ajudou a ampliar meus conhecimentos à cerca do que são os anfíbios.

leticia disse...

lol , esse texto me ajudou muito, a maior parte da minha pesquisa eu encontrei aqui.
estão de parabens aqueles que pensaram e elabolaram esse texto.

brendinha disse...

muito bom o texto me ajudou a concluir o meu trabalho .

DarkMan OhMeBaby disse...

muito bom esse texto me ajudou no meu trabalho agora so falta os outros 15 passos pra eu terminar hehe